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Inevitavelmente recordo do rosto de minha bisavó Luiza no dia em que o homem foi pela primeira vez à Lua. Ela se encontrava em nossa casa, passava uns dias, e eu explodia de excitação, contando os minutos que faltavam para a nave ser lançada. No rádio, uma canção de Gil tocava em todas as estações, como se adivinhando o que todas as bruxas da Terra sentiam naquele momento:

“Poetas, seresteiros,
namorados, correi.
É chegada a hora
de escrever e cantar,
talvez a derradeira noite
de luar…”

Vovó, que dificilmente prestava atenção às coisas que vinham do rádio, pediu-me que prestasse atenção, muita atenção no que a música dizia, pois o “moço” havia recebido um recado da Lua. Recordo que não dei muita atenção às suas palavras e continuei junto a Sylvia, minha melhor amiga, desenvolvendo os planos do que e com que faríamos na hora exata do lançamento. As crianças e os adolescentes da rua haviam planejado ficar no jardim de nosso prédio com alguns fogos de artifício, pipocas, biscoitos e uma série de itens que tornariam o acontecimento uma barulhenta festa.

Extremamente excitada com os preparativos, não reparei no semblante preocupado de minha bisavó, indo ter com ela somente no final do dia, quando exausta pelos folguedos procurei seu delicioso colo. Ela, muito séria, estava sentada próxima da janela, com os olhos muito tristes e fixos no céu. A noite ainda não havia caído e, inexplicavelmente, ao deitar minha cabeça em seu colo quente, senti-me muito triste, uma funda melancolia me apertava o peito.

Vovó, percebendo minha tristeza, tentou espantá-la com perguntas sobre a festa, mas nada podia dizer, pois um forte nó me apertava a garganta. Por momentos, a música de Gil retornou aos meus ouvidos e me dei conta de que aquela era mesmo a última noite de um luar virgem. A tristeza aumentava mais e mais…

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— FRAZÃO, Márcia. O gozo das feiticeiras. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999. p.399-401

Fotos dos famosos protestos contra o concurso Miss America, em 1968, que geraram o mito de que as mulheres queimaram sutiãs. Tratava-se um evento pacífico criticando os padrões de beleza, com uma performance na qual os símbolos da opressão estética (sutiã, inclusive) eram jogados em uma lata de lixo. O que vai além disso (e que ficou como a imagem do movimento feminista para o senso comum) foi invenção da mídia.

As fotos vieram daqui e daqui.

http://www.flickr.com/photos/johannahobbs/1220703574/
ateaquitudobem:
suffragettes

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